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quarta-feira, 13 de junho de 2018

O QUE FAZER QUANDO ENCONTRAR UMA PESSOA SURDA.

· Fale claramente, de frente para a pessoa, tomando cuidado para deixar visível sua boca.

· Não grite, fale em tom de voz e velocidade normais, exceto se lhe pedirem para levantar a voz ou falar mais devagar.

· Fale com expressão. Estas pessoas não podem ouvir as mudanças sutis do tom da voz indicando sarcasmo ou seriedade. Mas elas saberão ler suas expressões faciais, gestos ou movimentos do seu corpo.

· Ao conversar, toque levemente seu braço para a pessoa perceber que você quer falar-lhe. Mantenha o contato visual. Do contrário, a pessoa pensará que a conversa acabou.

· Se você não entender o que um surdo quer lhe dizer, peça para que ele repita. Se mesmo assim você não o entender, peça para que ele escreva o que deseja.

· Se um surdo estiver acompanhado de intérprete, fale diretamente ao surdo, nunca ao intérprete.

· Utilize lingua de sinais, avisos visuais e, se for exibir um filme, opte por filmes legendados ou providencie um resumo do filme.

· Não cruze ou ande entre duas pessoas conversando em linguagem de sinais, isto atrapalha ou impede a conversa.

Referência Bibliográfica.

ORGULHO SURDO !


Tornou-se parte da cultura surda usar uma fita azul:

- Uma conhecida fita azul representa um motivo: ela engloba uma história, uma cultura, uma língua, um povo.
- A fita azul representa a opressão enfrentada pelas pessoas surdas ao longo da história.
- A cor azul foi escolhida para representar "O Orgulho Surdo", para homenagear todos os que morreram depois de serem classificados como "surdo" durante o reinado da Alemanha nazista.
- Hoje em dia ela representa as suas silenciosas vozes em um mar de línguas faladas.
- A fita azul foi introduzida em Brisbane, na Austrália, em julho de 1999, no Congresso Mundial da Federação Mundial de Surdos. Durante o evento foi feita a sensibilização da luta dos Surdos e suas famílias ouvintes, através dos tempos.
-Ao recordarmos a opressão dos Surdos no passado e hoje, está se tornando claro para um número maior de pessoas que os Surdos podem fazer qualquer coisa, exceto ouvir.
- Aqueles que usam a fita azul têm orgulho em mostrar um pouco de sua própria cultura: A Cultura surda.
Surdez não é uma deficiência, mas uma cultura.

Na Segunda Guerra Mundial, era comum o uso de eutanásia nos hospitais, onde eram mortos bebês surdos.
Posteriormente, tornou-se comum a prática do aborto, que era aplicada quando se suspeitava que os fetos poderiam ter deficiências congénitas, ou qualquer tipo de doença, como no caso da surdez.
Poucos surdos escaparam, sobrevivendo em guetos e nos campos de concentração.

Na Antiguidade os chineses lançavam-nos ao mar, os gauleses sacrificavam-nos aos deuses Teutates, em Esparta eram lançados do alto dos rochedos. Na Grécia, os Surdos eram encarados como seres incompetentes.

Aristóteles, ensinava que os que nasciam surdos, por não possuírem linguagem, não eram capazes de raciocinar. Essa crença, comum na época, fazia com que, na Grécia, os Surdos não recebessem educação secular, não tivessem direitos, fossem marginalizados (juntamente com os deficientes mentais e os doentes) e que muitas vezes fossem condenados à morte. No entanto, em 360 a.C., Sócrates, declarou que era aceitável que os Surdos comunicassem com as mãos e o corpo. A Igreja Católica, até à Idade Média, cria que os Surdos, diferentemente dos ouvintes, não possuíam uma alma imortal, uma vez que eram incapazes de proferir os sacramentos.

O Setembro Azul pode ser entendido como o marco fundamental no que diz respeito à mobilização nacional na defesa das escolas bilíngüe para surdos, o Setembro Azul é um movimento social motivada por uma critica à atual política de educação especial que tem como prioridade o modelo da inclusão, ou seja, colocar os Surdos em escolas regulares e posteriormente o fechamento das escolas especiais.

O setembro azul prevê seminários, palestras, apresentações teatrais, Passeatas, Audiências Publicas, Exposições, Festas etc. Nos diversos estados brasileiros.

Aqui no Brasil comemoramos o Dia do Surdo em 26 de setembro, porque nesta data foi um marco histórico importante – foi fundada a primeira escola de surdos no Brasil o atual INES – Instituto Nacional de Educação dos Surdos, em Rio de Janeiro no dia 26 de setembro de 1857 pelo prof. Francês surdo Eduard Huet.

Referência Bibliográfica.

APLICATIVO TRADUZ O PORTUGUÊS PARA A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS.


Graças ao trabalho de três jovens alagoanos, já existe um aplicativo capaz de traduzir o Português para Libras. Batizado de Hand Talk, ele foi eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como "o melhor aplicativo social do mundo".

A ideia surgiu de três amigos: o publicitário Ronaldo Feirreira, o arquiteto Thadeu Luiz, e o analista de sistemas Carlos Wanderlan.

— Percebi que existiam pessoas com deficiência, que precisariam da tecnologia para tornar o seu dia a dia melhor. A cada dia que passa, a gente vai descobrindo mais e conhecendo melhor esse universo — explica Ronaldo. (veja o vídeo ao lado)

Para transmitir a Libras de forma correta, o aplicativo apresenta um intérprete virtual, o Hugo. Ele possui braços longos e mãos grandes, que facilitam a expressão corporal. Outro detalhe é que ele também possui uma cabeça enorme para deixar clara a visualização da expressão facial.

— A grande vantagem do Hugo é que ele pode ficar no bolso de qualquer pessoa. Você pode usá-lo a hora que desejar — diz Tadeu, um dos idealizadores do aplicativo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil tem cerca de 9,7 milhões de surdos, cerca de 70% deles tem dificuldades em ler e escrever em português. Por isso, a maioria destes utilizam a Libras para se comunicar. Desde 2002, a legislação brasileira reconhece a Libras como a língua oficial do país, junto com o Português.

Referência Bibliográfica.

PROFESSORA CRIA SITE DE LITERATURA INFANTIL EM LIBRAS.



Docente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e uma das responsáveis pela disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) na Faculdade de Educação, Carolina Hessel criou o site mãos aventureiras onde conta histórias de literatura infantil em Libras.

O site é atualizado todas as semanas com a contação de novos livros. “Meu desejo é atingir o público de escolas de surdos/ouvintes, para que essas boas histórias sejam conhecidas. A internet é uma maneira barata e fácil de dar acesso para todos. Quero preencher esta lacuna para as crianças surdas e também enriquecer o acervo de histórias sinalizadas na internet”, prospecta.

Carolina detalha que é amante de literatura Infantil, de artes e filmes e conta com auxílio dos amigos Liliane Giordani, Marcelo Bertoluci, Rosa Maria Hessel e Claudio Mourão, e do bolsista de Extensão Gabriel Cianeto. “Minha inspiração veio porque sempre gostei contar histórias em Libras com livros, desde que trabalhava nas escolas de surdos. Também quero dar acesso das crianças surdas à literatura infantil variada e de qualidade”, destaca a professora, ao lembrar que, segundo ela, não há no Brasil outro site que apresente literatura infantil variada em Libras. “Outros sites brasileiros (bem poucos) mostram apenas contos clássicos como Contos de Fadas, dos irmãos Grimm”.

Conforme a professora, o processo de escolha varia muito, pois depende da época do mês, do lançamento de livros conhecidos. “Algumas das obras que já contei no site são: Adelia, de Jean-Claude Alphen (Prêmio Jabuti), Carona na Vassoura, de Julia Donaldson, Axel Scheffler, O presente do Saci, de Lalau & Laurabeatriz. Também conto histórias clássicas como “O sanduíche da Maricota”, de Avelino Guedes muito trabalhado na Educação Infantil”, revela.

Referência Bibliográfica.

RELATO DE UM SURDO QUE ENFRENTOU OBSTÁCULOS DURANTE A VIDA ACADÊMICA.

“Na escola eu nunca tive intérprete e não conhecia nada de Libras”, diz Kléber Nascimento Santos sobre as dificuldades que passou na vida acadêmica por ser surdo. Hoje Kléber é pedagogo e professor de Língua Brasileira de Sinais em Ji-Paraná,RO.

Segundo Kléber, os desafios começaram cedo pra ele. Logo depois do parto foi descoberto que o menino nasceu cego e surdo. A mãe dele, Ide Nascimento, atualmente com 63 anos, sofria de hipertensão arterial e o filho ficou com as sequelas de uma crise na hora do nascimento. A cegueira foi revertida e a criança recuperou a visão, mas a surdez permaneceria pela vida toda.

Aos sete anos Kléber teve que se adequar às aulas dadas pelos professores tradicionais da época. “A metodologia deles era dar aulas mais explicativas com texto no quadro. Eu tentava interagir com meus colegas observando como eles faziam os exercícios e assim fui aprendendo”, relembra.

Foi olhando e aprendendo que conseguiu chegar à quinta série. Kléber lembra que o desempenho escolar era cobrado pelos professores, mas ele não tinha possibilidade de um bom rendimento como as outras crianças. “Sofri muito porque eram 10 disciplinas, cada uma com um professor com um jeito diferente de lecionar, mas todos cobravam para estudar mais”, comenta.

A surdez na adolescência o fez deixar as brincadeiras com os amigos de lado e se aproximar mais dos familiares. Era em casa com a ajuda dos pais e dos irmãos que Kléber contava para rever o conteúdo das aulas. “Quando acabava a aula você acha que eu ia brincar com os amigos? Que nada, eu pedia aos meus pais e meus dois irmãos que me ajudassem, eram horas e horas de estudo”, diz.

O empenho do único garoto surdo da sala deu resultado. Com notas acima dos demais, o aluno se tornou referência e passou de ajudado para ajudante. “Acabei servindo de exemplo para os outros. Os professores me parabenizavam e perguntavam: vocês que são ouvintes estão perdendo para o Kléber que é surdo?”, comenta Kléber que completa: “eu questionava a mesma coisa, como posso estar melhor se eles ouvem?”.

Após dois vestibulares, sem intérpretes, ele ingressou em uma faculdade de pedagogia e passou o primeiro semestre como nas primeiras aulas quando era menino. “No primeiro dia de aula quando eu coloquei a mão na orelha pra demonstrar que era surdo, meu professor fez uma cara como quem dizia, e agora?”, brinca.
“No início do segundo semestre conheci a Olga, foi um alívio”, comenta Kléber se referindo à Olga Maria da Mota, professora de Libras que deixou de ensinar na rede pública para ajudá-lo. “Eu o acompanhei pelos três anos e meio da faculdade, eu meio que me formei novamente com ele”, diz Olga.

O começo, segundo a professora, não foi fácil porque a novidade acabava chamando mais a atenção do que as aulas. “No início era meio constrangedor porque era novidade ter um intérprete. Às vezes deixavam de ver o professor pra ficar me olhando”, lembra.

Segundo Olga, nas primeiras aulas os alunos duvidavam se aquilo que ela dizia era realmente o que Kléber expressava. “Quando tinha apresentação de algum trabalho é que a coisa ficava boa, ele me dizia por Libras e eu apresentava à classe que ficava boquiaberta”, explica.

Formado em pedagogia e professor na primeira escola bilíngue de Rondônia, Kléber dá aula de Libras para crianças surdas e para professores. “Hoje sou muito grato aos meus pais, irmão e aos meus professores que tiveram paciência e me ajudaram a ser o que sou hoje”, ressalta.

Kléber lembra que aula de Libras é muito importante e quem fizer poderá ajudar outras pessoas no futuro. “Da mesma forma que eu me esforcei pra ler e escrever gostaria que se esforçassem para aprender Libras, assim poderemos nos comunicar melhor”, finaliza.

Referência Bibliográfica.

QUEBRA DE PARADIGMAS - ELES SÃO SURDOS.

Deficiente-auditivo, surdo-mudo e surdo: qual a forma correta de se referir a uma pessoa com déficit auditivo e que faz uso da língua de sinais? Pense... Não tenha pressa... Acredito que a maioria tenha ficado em dúvida entre as duas primeiras, e que instantaneamente já descartaram a terceira. Acertei? Pois sinto informar a quem pensou deste modo que, aquelas pessoas de quem me refiro, exigem ser chamadas de SURDOS. Por favor, nunca digam que um surdo é surdo-mudo ou um deficiente-auditivo (D.A). Chamá-lo assim soa para ele, da mesma forma que para um negro, soa ser chamado de negrinho ou de preto.

Para mudarmos nossa forma de ver o surdo, precisamos destruir e refazer alguns conceitos. E procurar ter uma visão sob um aspecto mais sociocultural do que biológico. Quando fazemos uso do termo “deficiente” estamos colocando os surdos no grupo dos incapacitados, pela perda da audição – estamos vendo a surdez como algo patológico. No entanto, isto não é verdade. A única barreira imposta pela surdez é a dificuldade de comunicação com as pessoas ouvintes. Excetuando isso, eles são capazes de trabalhar, de saírem às ruas, de aprender o que quiserem, de se relacionarem com outras pessoas. Então podemos dizer que a surdez é uma diferença e não uma deficiência. Além disso, este termo por si só trás uma grande carga de PRECONCEITO. E quanto ao termo surdo-mudo, a palavra “mudo” denota ausência de linguagem, e perda do aparelho fonador. E estas não são as realidades dos surdos. Eles, com a ajuda de um profissional fonoaudiólogo, são capazes de se “oralizar”; pois o seu aparelho fonador encontra-se preservado. Além disso, a língua de sinais é considerada um tipo de linguagem, com toda a complexidade das demais.

Por isso, a partir de hoje usem o termo SURDO – mas lembrem-se de que até mesmo esta palavra traz consigo a diversidade em sua essência, pois não há O SURDO, mas os surdos...

Referência Bibliográfica:

1 - GESSER A. DO PATOLÓGICO AO CULTURAL NA SURDEZ: PARAALÉM DE UM E DE OUTRO OU PARA UMA REFLEXÃO CRÍTICA DOS PARADIGMAS. Trab. Ling. Aplic., Campinas, 47(1): 223-239, 13 de Jun. 2018.

MÚSICA COMBINA COM SURDEZ?



Prevalece na nossa cultura (ouvinte) a relação entre música e ouvir. Isto é, o aparelho auditivo é o responsável por produzir as sensações que sentimos quando ouvimos música. Sendo assim, há o pensamento de que as pessoas com surdez, principalmente a surdez profunda, estão privadas desta arte.

Uma vez, um amigo me disse que o único pesar que ele tinha, em relação aos surdos, era deles não poder ouvir música. Mas será que os surdos não podem desfrutar dos prazeres da música de fato?

O grupo Batuqueiros do Silêncio vem para nos ensinar que os surdos podem sim vivenciar a música. Este é um conjunto de instrumentistas surdos, da cidade de Recife, e que tocam músicas típicas da região (maracatu, frevo, ciranda). A iniciativa surgiu a partir do professor Mestre Batman. Ele criou um metrônomo – instrumento que marca o tempo do compasso musical – diferente, que guia os alunos e permite que eles executem as músicas brilhantemente. Acessem o link para entenderem como o trabalho é realizado.

Comprovando esta questão - o surdo e a música - foi divulgado há alguns anos atrás um trabalho realizado pelo Dr. Shibata, médico professor assistente de radiologia na Universidade de Washington – Infelizmente não consegui encontrar o artigo, mas algumas reportagens sobre a mesma notícias foram publicadas na internet conforme podem acessar nas referências. Neste trabalho foi analisado a reação cerebral à vibração em 10 surdos e 11 ouvintes.
O que foi notado é que em ambos os grupos ouve a ativação da mesma região cerebral – a responsável pela percepção da vibração. Porém, nos surdos, ocorreu concomitantemente a ativação da área responsável pela audição. O que levou o pesquisador a concluir que os efeitos provocados pela música são os mesmos tanto em ouvintes quanto em surdos.


Leia abaixo um trecho da explicação do professor Shibata, retirado do site UOL:
"A informação relativa a vibração tem essencialmente as mesmas características que a informação sonora –faz sentido, portanto, que para os surdos uma modalidade possa substituir a outra na mesma região cerebral. É a natureza da informação, e não sua modalidade, que parece ser importante para o cérebro em desenvolvimento".
Enfim, o projeto do mestre Batmam e os outros apresentados nos ensinaram que pra tudo é preciso ter boa vontade e vontade de fazer a diferença. Possivelmente ele não conhecia a teoria elaborada pelo professor Shibata, mas pelo simples fato dele acreditar que era possível, ele quebrou um paradigma e criou o grupo Batuqueiros do Silêncio. E podemos finalizar com a frase do próprio mestre: “A música é uma língua universal”.

Referência Bibliográfica.

LEI N.º 10.436 de 24 de abril de 2002

Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Art. 2º Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.

Art. 3º As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor.

Art. 4º O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.

Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais – Libras, não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa.

Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de abril de 2002; 181º da Independência e 114º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Paulo Renato Souza

Referência Bibliográfica

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Escrita de Sinais, Sim! Ela existe!

A escrita de sinais acontece a partir do SignWriting, que é um sistema de escrita para escrever línguas de sinais. Essa escrita expressa as configurações de mãos, os movimentos, as expressões faciais e os pontos de articulação das línguas de sinais. Já são mais de 35 países que utilizam esse sistema de SignWriting em escolas, universidades, associações e áreas ligadas à comunidade surda.
O SignWriting pode registrar qualquer língua de sinais do mundo sem passar pela tradução da língua falada. Cada língua de sinais vai adaptá-lo a sua própria ortografia.
Desta forma, todos os gestos com as mãos (posição das mãos, rotações, posição dos dedos e movimentos), faciais (olhos e boca) e a rotação da cabeça, ombros e demais partes do corpo utilizadas na comunicação possuem símbolos próprios que, combinados, promovem a formação da linguagem escrita. Essa escrita pode ser realizada manualmente – manuscrito – pelo surdo, ou utilizando recursos digitais.






Entende-se que a língua de sinais é a língua acessível ao Surdo por não impor a ele obstáculos sensoriais e poder ser adquirida por imersão linguística em ambiente adequado, ou seja, na convivência espontânea com usuários dessa modalidade linguística (Silva; Bolsanello, 2014).

Exemplo de palavras.

Referencias Bibliográficas:
Escritas de Sinais. O QUE É SIGNWRITING? Disponível em: <https://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/16/o-que-e-signwriting/> Acesso 12/04/2018.
Educação Pública -CEDERJ Fundação CECIERJ. A LIBRAS E A ESCRITA DE SINAIS. Disponível em: <http://educacaopublica.cederj.edu.br/revista/artigos/a-libras-e-a-escrita-de-sinais> Acesso 12/04/2018.

Curiosidades Sobre Libras.



Falaremos agora alguns fatos curiosos sobre Libras:

  • Libras é uma língua oficial do país, reconhecida pela legislação brasileira através da Lei 10.436/2002, junto com a Língua Portuguesa.
  • Libras é uma língua diferente do português, assim como o inglês, o francês e o japonês, por exemplo.
  • Libras possui as suas características próprias de sintaxe, morfologia, semântica e contexto, como qualquer outra língua.
  • As línguas de sinais de cada país são totalmente diferentes umas das outras. Existem países que possuem dialetos da sua língua de sinais, inclusive o Brasil.
  • As pessoas que aprendem a Língua Portuguesa e Libras, é considerado bilíngue.
  • Duas pessoas de países diferentes não conseguem conversar, se compreender, se não souberem a língua de sinais do país que aquela pessoa mora. Pois as línguas de sinais tem suas próprias características em cada país, assim como outra língua oficial do país.
  • A maioria dos surdos não possui um entendimento claro do português escrito, pois sua língua materna é LIBRAS. É como alguém que aprende outra língua, mas não tem a oportunidade de praticá-la falando e ouvindo.
  • Existe LIBRAS escrita. É uma escrita parecida com o português escrito, porém sem significado para quem não domina LIBRAS.
  • É incorreto dizer que o surdo é analfabeto, pois ele é alfabetizado em LIBRAS.
  • É incorreto dizer que o surdo é mudo. Ele não é mudo, apenas não aprendeu a falar o português.
  • Existem alguns surdos que aprenderam a falar através das vibrações vocais e a entender o que falamos através da leitura labial. São chamados de oralizados.
  • Quem não é surdo é chamado de ouvinte.


Referencia Bibliográfica:
Acessibilidade Virtual. CURIOSIDADES SOBRE LIBRAS E OS SURDOS. Disponível em: <http://blog.acessibilidade.bento.ifrs.edu.br/?p=36> Acessado 12/04/2018.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Libras em Goiânia.



No ano de 2015, foi sancionada em Goiânia a Lei nº 9.681, que garante escola bilíngue de Língua Portuguesa e Libras para surdos.
Segundo a proposta da lei o município deverá criar uma escola em tempo integral com ensino em libras, para atender a comunidade surda da capital e a Língua Brasileira de Sinais deverá ser ensinada como primeira língua, e o português escrito, como segunda, e ambas serão utilizadas para “o ensino de todas as disciplinas curriculares, em todos os níveis e modalidades da educação básica, na rede municipal de ensino”.
Para as pessoas e os profissionais da educação que tem interesse em trabalhar com libras, além dos diversos cursos online, a cidade de Goiânia conta com curso de graduação em várias universidades. O curso de Libras é oferecido também gratuitamente pelo Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez, mais conhecido como CAS, onde é oferecido cursos para pessoas ouvintes, surdas e para familiares de surdo.

O Lúdico no Desenvolvimento de Crianças Surdas.



Os jogos e brincadeiras cumprem uma função essencial nas atividades pedagógicas por seu caráter lúdico, permitindo a interação em Libras de forma natural, ainda que didaticamente planejada.
Quando chega á escola, ainda que não use Libras, a criança surda se comunica por meio daquilo que chamamos de linguagem corporal, que assume um caráter simbólico importantíssimo, uma vez que será a primeira forma linguística de manifestar intenções e agir sobre o outro, voluntariamente. Assim, os jogos e brincadeiras cumprem uma função essencial nas atividades pedagógicas por seu caráter lúdico, permitindo a interação em Libras de forma natural, ainda que didaticamente planejada. Porém se os jogos e brincadeiras não são mediados por adultos e outros pares mais experientes, a criança ficará limitada apenas á atividade motora imitativa, sem ter consciência da ação, das regras da organização inerente á atividade.
Sabemos que na brincadeira os objetos são secundarizados, pois a criança passa a agir independentemente do real, inserindo-se em situações imaginárias, em que aprende sobre comportamento social e regras de interação e socialização, próprias do universo do mundo adulto. E são essas as situações que devem ser exploradas pelo professor a partir do aprendizado do sinal convencional do brinquedo em Libras.



As crianças surdas, assim como as demais crianças, brincam e se relacionam normalmente, não apresentando maiores dificuldades em interagir com seus pares. Desta forma, o que ocorre é que os jogos e brincadeiras infantis já estão inseridos no universo do simbólico, no qual a linguagem é lugar central na internalização de conteúdos.
Todos os jogos e brincadeiras do universo infantil podem ser praticados por crianças surdas: brincadeiras de roda, esconde-esconde, pique, lenço atrás, entre outras, desde que as regras estejam suficientemente claras. Isso apenas poderá ocorrer se houver um território linguístico comum entre criança surda, demais crianças e professora, por meio do aprendizado em Libras.
Ou seja, podemos dizer que trabalhar o lúdico com crianças surdas na Educação Infantil traz inúmeras vantagens; a criança aprende brincando e por isso cabe aos professores saber aproveitar esses recursos como ferramenta de apoio ao processo de ensino e aprendizagem.


Referencias bibliográficas:
Portal Educação. A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO PARA O DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS SURDAS. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/a-importancia-do-ludico-para-o-desenvolvimento-de-criancas-surdas/43413> Acessado 11/04/2018.

quinta-feira, 15 de março de 2018

A importância da Língua de Sinais na Educação Infantil.

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É muito importante a criança deficiente ter acesso à educação logo cedo, para aprender a sua língua natural e não passar por situações de exclusão. Assim, ela aprende a expressar o que sente ou quer no momento por meio da língua de sinais.


A criança deficiente auditiva, muitas vezes, chega à escola com a ausência da língua, o que acaba dificultando a sua aprendizagem. Por isso, é importante o ensino de Libras na educação infantil, uma vez que, quanto mais cedo a criança entra em contato com a língua, melhor é o seu processo de desenvolvimento.
Quanto o aprendizado de segunda língua – a Portuguesa –, esta deve ser ensinada de forma diferente para os deficientes auditivos, utilizando estratégias e técnicas próprias.
Também é importante destacar que é a partir do aprendizado da Libras como língua materna que a criança com deficiência auditiva passa a ter identidade própria. A partir da língua de sinais, ela se torna apta a fazer parte de um mundo da estruturação de pensamento - quem não domina uma linguagem, não possui um pensamento bem estruturado.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB, nº 9394/1996) estabelece que os sistemas de ensino devem garantir, principalmente, professores especializados ou devidamente capacitados que possam atuar com qualquer pessoa especial na sala de aula.
Portanto, de acordo com a perspectiva da Lei, o professor deveria ser responsável por mediar e incentivar a construção do conhecimento do aluno com deficiência auditiva, por meio da sua interação com os estudantes e do desenvolvimento de estratégias pedagógicas que os atendam em suas necessidades.
Entretanto, não é difícil perceber que esse processo ainda é lento. Os alunos com deficiência auditiva possuem dificuldades dentro do ambiente escolar, já que muitos professores continuam dando aula apenas para os ouvintes. Sendo assim, eles enfrentam a continuidade do ciclo de exclusão, e têm dificuldades em encontrar emprego, pois algumas empresas ainda não se mostram preparadas para receber pessoas com necessidades especiais - além de que, novamente, a barreira da comunicação torna mais difícil a inclusão social dos deficientes auditivos no ambiente de trabalho.
Por isso, o ensino de Libras na educação infantil é de extrema importância, uma vez que, dessa forma, a comunicação dos ouvintes com os não ouvintes fica facilitada. Nesse cenário,  a inclusão social dos deficientes auditivos seria proporcionada não só na escola entre educadores e alunos, como, também, na sociedade e nos ambientes de trabalho.

Referência Bibliográfica:
Faculdade Eficaz. ENSINO DE LIBRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Disponível em: <http://www.faculdadeeficaz.com.br/post/dicas-eficaz/ensino-de-libras-na-educacao-infantil> Acesso em: 15 de março de 2018.

A Língua de Sinais no Contexto da Escola Regular



Todas as pessoas têm o direito de estar na escola (Constituição Federal, Art. 205), assim Ferreira (1999) define a escola como um estabelecimento público onde se ministra o ensino de forma coletiva, porém em sua essência a escola.

(...) apresenta-se, hoje como uma das mais importantes instituições sociais, por fazer, assim como as outras, a mediação entre o indivíduo e a sociedade. Ao transmitir a cultura, e com ela, modelos sociais de comportamentos e valores morais à escola permite que a criança “humanize-se, cultive, socialize-se ou, numa palavra, eduque-se.” (Boock, 2002. P. 261).

Percebe-se então que a escola é muito importante na formação do sujeito em todos os aspectos. É um lugar de aprendizagem de diferenças e de trocas de conhecimentos, precisando, portanto atender a todos sem distinção, a fim de não promover fracassos, discriminações e exclusões (Carvalho, 2004).

Determinações constitucionais prevêem organização especial de currículos, desenvolvimento de métodos, técnicas e recursos educativos, além de professores especializados e capacitados. No caso do surdo especificamente, trata-se de promover adequações das ações educacionais à realidade daquele que tem (ou deveria ter) a língua de sinais como primeira língua.

Tais ações implicam na necessidade de uma educação bilíngüe nas classes regulares e estão respaldadas numa concepção filosófica norteadora de diretrizes legais que estabelecem uma escola alicerçada no respeito às diferenças e igual para todos, de forma a favorecer o desenvolvimento dos alunos surdos.

A Declaração de Salamanca (1994) prevê uma educação inclusiva onde todas as crianças podem aprender juntas, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, raciais, lingüísticas ou outras. No caso do surdo sua educação é prevista em sua língua nacional de signos, a língua de sinais.

Já a LDBEN/96 (Lei das Diretrizes Bases da Educação Nacional de 1996), fundamentada em Salamanca (1994) e na Constituição Federal de 1988, traz em seus artigos especificamente 58 e 59, fundamentos e princípios para uma educação inclusiva de qualidade que atenda a todos os educandos através de adequações específicas para atender as necessidades dos portadores de deficiências.

Para Carvalho (2004) não basta apenas colocar os deficientes em classes regulares, se faz necessário assegurar-lhes garantias e práticas pedagógicas que rompam as barreiras de aprendizagem a fim de não se fazer uma educação inclusiva marginal e excludente.

Na educação dos surdos, o que lhes constitui uma barreira de aprendizagem diz respeito às questões referentes à sua linguagem. Estes sujeitos não ouvem, por isso, têm grandes dificuldades em se comunicar e aprender, embora sejam iguais aos ouvintes, as precisam de uma educação diferente que o respeite na sua diferença.

Atualmente no Brasil há um crescente discurso sobre a educação bilíngüe para surdos. O termo bilingüismo significa “utilização regular de duas línguas por indivíduos, ou comunidade, como resultado de contato lingüístico” (Ferreira, 1999, p. 300). Ser bilíngüe, portanto é falar e escrever em duas línguas.

O surdo tem direito a esta educação e a mesma deve acontecer de maneira que, segundo Quadros, (2006) o português deveria ser ensinado aos surdos como segunda língua. Dessa forma a escola deveria apresentar alternativas voltadas às necessidades lingüísticas dos surdos, promovendo estratégias que permitam a aquisição e o desenvolvimento da língua de sinais, como primeira língua e, paralelamente, introduzir a língua portuguesa em sua modalidade escrita, como segunda língua. A autora discorre acerca de como deve acontecer a educação bilíngüe e o papel da escola nesse processo.

“As diferentes formas de proporcionar uma educação bilíngüe à criança em uma escola dependem de decisões político-pedagógicas. Ao optar-se em oferecer uma educação bilíngüe, a escola está assumindo uma política lingüística em que duas línguas passarão a co-existir no espaço escolar (...)”. (Quadros, 2006, p.18).
Entende-se assim que não basta somente a escola colocar duas línguas co-existindo nas suas classes, antes precisa que haja subsídios e adequações curriculares de forma a favorecer surdos e ouvintes, a fim de tornar o ensino apropriado à peculiaridade de cada aluno.

Segundo Skliar (2005, p.27), usufruir da linguagem de sinais “é um direito dos surdos e não uma concessão de alguns professores e escolas”. Os surdos têm plenos direitos a uma educação que privilegie a sua língua materna e de acordo com a legislação brasileira isso não lhe deve ser negado. No Brasil, leis e decretos garantem a estes alunos uma educação diferenciada em classes regulares, onde sua língua nacional de signos, aqui conhecida como LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), é valorizada.

A lei 10.436 (24/04/2002) reconhece a legitimidade da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS - e com isso seu uso pelas comunidades surdas ganha respaldo do poder e dos serviços públicos. Esta lei foi regulamentada em 22 de dezembro de 2005, pelo Decreto de nº. 5.626/05 que estabelece a inclusão da LIBRAS como disciplina curricular nos cursos de magistério, pedagogia e fonoaudiologia, do ensino público e privado, e sistemas de ensino estaduais, municipais e federais (Cap.II, art. 3º.).

Este mesmo Decreto, no capítulo VI, Art. 22, incisos I e II, estabelece uma educação inclusiva para os surdos, numa modalidade bilíngüe em sua escolarização básica, garantindo-se a estes alunos, educadores capacitados e a presença do intérprete nessas classes.

O intérprete é muito importante na educação dos surdos nas classes regulares, pois é um profissional devidamente capacitado, que domina a LIBRAS, proporcionando aos surdos receber informações escolares em língua de sinais, abrindo-lhes oportunidades para que possam construir competências e habilidades na leitura e na escrita, tornando-se, portanto, letrados.

Através desses dispositivos legais, pode-se verificar que a escola regular está amparada legalmente para receber os alunos surdos em suas classes, pois a legislação brasileira já reconhece a importância da linguagem dos sinais na educação dos sujeitos surdos, como um elemento que abre portas para o desenvolvimento global dos alunos que não ouvem, mas que são iguais àqueles que têm a audição. 

O surdo não é pior que o ouvinte, é cognitivamente igual, tem as mesmas capacidades e inteligência (Botelho 2002), porém é um sujeito que tem uma forma única, peculiar de aprender, pois compartilha duas culturas e precisa apropriar-se de ambas. A língua de sinais constitui esta ponte, portanto, importante na educação dos surdos nas classes regulares. 

Referência Bibliografica:
NASCIMENTO, Adriana Costa. A IMPORTANCIA DA LINGUA DE SINAIS NA ESCOLA REGULAR. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/a-importancia-da-lingua-de-sinais-na-escola-regular/28123/>. Acesso em: 15 mar.2018

História Recente

Em 2002, a Língua Brasileira de Sinais foi finalmente reconhecida como uma língua oficial do BrasilEssa conquista se somou a outras mais atuais, que sempre passaram pelo campo da legislação. Nos últimos anos não foram poucas as leis e recomendações que buscaram regulamentar aspectos da língua de sinais para propagar seu o uso e garantir direitos à comunidade surda:
  • 2004: Lei que determina o uso de recursos visuais e legendas nas propagandas oficiais do governo;
  • 2008: Instituído o Dia Nacional do Surdo, comemorado em 26 de Setembro, considerado o mês dos surdos;
  • 2010: Foi regulamentada a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras;
  • 2015: Publicação da Lei Brasileira de Inclusão (ou Estatuto da Pessoa com Deficiência), que trata da acessibilidade em áreas como educação, saúde, lazer, cultura, trabalho etc.;
  • 2016: Anatel publica resolução com as regras para o atendimento das pessoas com deficiência por parte das empresas de telecomunicações.
Mesmo com todos esses avanços, a Libras ainda é pouco conhecida e usada entre os ouvintes. Seu status de língua oficial não é validado na prática. Para mudar essa realidade precisamos tratar a Língua Brasileira de Sinais como realmente nossa, defendendo-a e procurando aprender mais sobre ela.

Referência Bibliografica:
BOGAS, João Vitor. A história da Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Diponível em: <http://blog.handtalk.me/historia-lingua-de-sinais/>. Acesso em: 08 mar.2018.

Alfabeto em Libras

Os sinais (símbolos) surgem da soma de padrões de mão, e em alguns casos, de pontos de articulação e de movimentos – partes do próprio corpo ou no espaço em que são executados. As libras transmitem mais do que palavras e frases, o sistema possibilita que a comunidade de pessoas surdas exerçam o direito de descobrir o mundo a sua volta por conta própria.

O alfabeto em libras, basicamente, consiste na soletração de letras e numerais com as mãos. O sistema é usado, apenas, para formar nomes de pessoas, rótulos, lugares, endereços e vocábulos que se tenha dúvida, ou inexistentes, na língua de sinais.

Vale lembrar que as letras do alfabeto são utilizadas em alguns casos específicos, como é o caso de nomes próprios, onde muitas vezes a pessoa comunica seu nome através das letras ou de seu sinal pessoal (sim, cada pessoa possui um sinal próprio). Porém, para se comunicar de verdade com um surdo, é necessário saber que cada palavra possui um sinal específico. Por exemplo, se você vai dizer para “eu te amo” em Libras, você não vai fazer a datilografia de cada letra. Você fará o sinais de “Eu” “Gosto” e o sinal de “você”. 


Referência Bibliografica: 
AC, Alexandre. Alfabeto em Libras – Sinais das Letras do Abecedário. Disponível em: <http://empreendedormoderno.com.br/alfabeto-em-libras-letras-sinais/>. Acesso em: 08 mar.2018.

O que é Libras?


A LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, ao contrário do que muitos pensam, é uma língua e possui uma estrutura gramatical própria, ultrapassa as ideias daqueles que acreditam ser apenas gestos ou mímicas, como uma maneira de comunicação entre os deficientes auditivos.
Considera-se a LIBRAS uma língua por possuir corretamente os níveis linguísticos fonológico, morfológicos, sintático e semântico, e o que vai diferenciar essa língua das demais é a sua modalidade visual-espacial, pois, o que denominamos de palavra na língua oral-auditiva, na LIBRAS é denominado por sinais.
A Língua de Sinais não é universal, visto que cada país possui a sua própria língua, o mesmo ocorre na Língua de Sinais, há variações de acordo com cada lugar. O que acontece é que a cultura local provém muito nos resultados da língua, e as expressões são influenciadas pelo regionalismo, o que vai justificá-la ainda mais como língua.
Os sinais são movimentos específicos realizados pelas palmas da mão, e dependem de um ponto ou espaço de localização em que esses sinais são realizados, pois, como toda língua, também deve ser padronizada e isso acontece através de alguns parâmetros traçados para que todos realizem e possam compreender uns aos outros.
Referência Bibliografica: 
Portal Educação, LIBRAS, O QUE SIGNIFICA?. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/cotidiano/libras-o-que/47425>. Acesso em: 01 mar.2018.

Origem da Língua de Sinais




As línguas de sinais, ao contrário do que se pode pensar, não são universais, pois existem a Língua de Sinais Americana, a Língua de Sinais Francesa, a Língua de Sinais Portuguesa e a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), dentre outras. 

Segundo Felipe (2001), as Línguas de Sinais não são apenas um conjunto de gestos que explicam as línguas orais, são complexas e expressivas, permitindo aos seus usuários discutir sobre qualquer assunto, desde filosofia e política, até moda, poesia e teatro.

Não existem relatos específicos sobre a origem da Língua de Sinais, porém destaca-se o início de seu uso no ano de 1760 na cidade de Paris na França, onde o abade L’Epée de aproximadamente sessenta anos fundou a primeira escola pública para surdos.


Perlin (2002) destaca que a partir da fundação desta escola iniciou-se a multiplicação de profissionais surdos e ouvintes que se espalharam pelo mundo disseminando o uso da Língua de Sinais, foram criadas várias outras escolas, onde além do uso das Línguas de Sinais nacionais, exploravam-se novos recursos na educação dos surdos.

No Brasil a Língua de Sinais ganhou espaço a partir de 1857 quando Eduard Huet, um francês que ficou surdo aos doze anos veio ao país a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola para meninos surdos primeiramente chamada Imperial Instituto de Surdos Mudos, atual INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos).

A partir da fundação da escola, os surdos brasileiros puderam então criar a Língua Brasileira de Sinais, que se originou da Língua de Sinais Francesa e das formas de comunicação já utilizadas pelos surdos de vários locais do país.


É importante ressaltar que nem sempre houve a aceitação pelo uso da Língua de Sinais, que muitas foram às tentativas em torno da discussão sobre como educar os surdos, pois alguns se mostravam favoráveis ao método oralista (Uso da fala).


No ano de 1880 em um Congresso Mundial de Professores Surdos ocorrido em Milão na Itália decidiu-se que todos os surdos deveriam ser educados pelo método oral puro, ou seja, sem o uso de qualquer sinal.


Somente no ano de 1896 a pedido do Governo brasileiro, A.J. de Moura e Silva, que atuava como professor de surdos no INES foi ao Instituto Francês de Surdos com a missão de avaliar esta decisão e chegou à conclusão de que o método oralista não era eficiente para todos os surdos.

Se fôssemos nos aprofundar no estudo da história da Língua de Sinais teríamos que citar vários outros nomes importantes no processo de implantação e reconhecimento da mesma e detalhar acontecimentos, datas e discussões em torno da polêmica da Educação dos surdos.

Portanto, assim como o povo ouvinte tem suas lutas e glórias em busca de liberdade, de uma sociedade democrática onde se possa viver bem e fazer uso de seus direitos, o povo surdo, que sempre esteve presente nesta mesma trajetória histórica também, pois é parte da sociedade e, além disso, ainda teve que lutar uma luta desleal e quase solitária.

Sob o domínio de uma cultura da maioria (cultura ouvinte) que sempre tomou as decisões e dificilmente se colocou na posição do surdo para saber o que de fato era melhor para ele, o sujeito surdo conviveu com o preconceito, o isolamento social e a falta de oportunidades por não poder expressar de fato sua opinião.

Atualmente, muitos são os estudos sobre a cultura surda e a evolução desse povo guerreiro que luta por igualdade de condições e o que fica claro é que a sociedade começa a despertar para o respeito à diferença cultural do surdo e desmistificar um pouco a surdez vista como deficiência desde a antiguidade.

Portanto, a história das Línguas de Sinais ainda tem muitos capítulos a serem escritos. Seja pelos Surdos, atualmente mais confiantes ou mesmo com a colaboração de ouvintes engajados na causa surda.


Referência Bibliografica: 

Portal Educação, LÍNGUA DE SINAIS: ORIGEM E HISTÓRIA. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fonoaudiologia/lingua-de-sinais-origem-e-historia/61951>. Acesso em 01 mar.2018.


VÍDEO E CURRÍCULO LATTES.

Currículo: Laís Fernandes de Jesus. Currículo: Mikaella Ribeiro de Souza.