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quarta-feira, 13 de junho de 2018
MÚSICA COMBINA COM SURDEZ?
Prevalece na nossa cultura (ouvinte) a relação entre música e ouvir. Isto é, o aparelho auditivo é o responsável por produzir as sensações que sentimos quando ouvimos música. Sendo assim, há o pensamento de que as pessoas com surdez, principalmente a surdez profunda, estão privadas desta arte.
Uma vez, um amigo me disse que o único pesar que ele tinha, em relação aos surdos, era deles não poder ouvir música. Mas será que os surdos não podem desfrutar dos prazeres da música de fato?
O grupo Batuqueiros do Silêncio vem para nos ensinar que os surdos podem sim vivenciar a música. Este é um conjunto de instrumentistas surdos, da cidade de Recife, e que tocam músicas típicas da região (maracatu, frevo, ciranda). A iniciativa surgiu a partir do professor Mestre Batman. Ele criou um metrônomo – instrumento que marca o tempo do compasso musical – diferente, que guia os alunos e permite que eles executem as músicas brilhantemente. Acessem o link para entenderem como o trabalho é realizado.
Comprovando esta questão - o surdo e a música - foi divulgado há alguns anos atrás um trabalho realizado pelo Dr. Shibata, médico professor assistente de radiologia na Universidade de Washington – Infelizmente não consegui encontrar o artigo, mas algumas reportagens sobre a mesma notícias foram publicadas na internet conforme podem acessar nas referências. Neste trabalho foi analisado a reação cerebral à vibração em 10 surdos e 11 ouvintes.
O que foi notado é que em ambos os grupos ouve a ativação da mesma região cerebral – a responsável pela percepção da vibração. Porém, nos surdos, ocorreu concomitantemente a ativação da área responsável pela audição. O que levou o pesquisador a concluir que os efeitos provocados pela música são os mesmos tanto em ouvintes quanto em surdos.
Leia abaixo um trecho da explicação do professor Shibata, retirado do site UOL:
"A informação relativa a vibração tem essencialmente as mesmas características que a informação sonora –faz sentido, portanto, que para os surdos uma modalidade possa substituir a outra na mesma região cerebral. É a natureza da informação, e não sua modalidade, que parece ser importante para o cérebro em desenvolvimento".
Enfim, o projeto do mestre Batmam e os outros apresentados nos ensinaram que pra tudo é preciso ter boa vontade e vontade de fazer a diferença. Possivelmente ele não conhecia a teoria elaborada pelo professor Shibata, mas pelo simples fato dele acreditar que era possível, ele quebrou um paradigma e criou o grupo Batuqueiros do Silêncio. E podemos finalizar com a frase do próprio mestre: “A música é uma língua universal”.
Referência Bibliográfica.
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